sábado, 31 de janeiro de 2009

Ensaio sobre o orgasmo

.......Num instante, o frouxo fio do arco ganha a rigidez que tenta a flecha. E quando a flecha escapa dos dedos do arqueiro, o instante é só o fio a bambear. Porque a flecha é arremessada para fora do tempo. Então dois movimentos compõem o fenômeno: um material e outro transcendente.
.......E o princípio é uma vitalidade que impulsiona a flecha e deixa o fio oscilando. Uma instabilidade que foge ao controle do arqueiro, o qual se lança com sua flecha conquistando espaços no ar. Fica o ar tão palpável que é rasgado num zunido. A flecha corre suspirando em liberdade e o fio dança condenado ao eixo.
.......Mas para corresponder - ressaltando seu caráter fenomenal - à lei de efemeridade, que é a graça original disso tudo, fio e flecha tendem a estacionar: a vitalidade é toda consumida e acaba. Fica um fio aquecido pela intensidade da vibração de suas moléculas e uma flecha sem força que repousa longe.

4 comentários:

óli de castro disse...

beelo texto!
mesmo fugindo ao "nosso estilo".
hahaha
o final está lindíssimo!
x)
beeeeijo!

Anônimo disse...

Q orgulho que tenho de vc pseudo...Vc escreve maravilhosamente bem... Parabéns!!!

Pelónnnn??? disse...

Meu q coisa fantástica...!
cara.. suas metáforas são ótimas.. são maduras, e talvez essa seja sua melhor qualidade.. elas não caem no pedantismo..!

gostei mesmo.. .!

abraços e bom zeronove

Talitha Borges disse...

Achei o texto incrível. Nada nele é esperável. Parabéns.